domingo, 3 de fevereiro de 2013

Minhas raízes



Fui plantada em terra árida, germinar foi dolorido.
Mas brotei em algum canto e de lá me arrancaram...
Fui replantada em solo macio, adubada e cuidada,
mas nem sol, nem vento e nem chuva me deram.
Perdi galhos perdi flores, deixei nascer em mim espinhos
e ao meu redor terra seca e abrolhos...
Não tive água e nem sombra e por um bom tempo
fui solitária.
Por vezes germinei num pântano, por outras no éden.
Quando minhas flores despetalaram senti a dor da solidão.
Flor feia e sem colorido, cresci apesar de todas as tempestades!
Alguns raios me arrancaram lascas... Deixando marcas em meu caule.
Alguns parasitas me infestaram e deles me livrei com garra.
Até que um dia o sol brilhou e  a chuva veio mansinha...
Em pouco tempo me fortaleci, e aprofundei minhas raizes.
Hoje nenhuma tempestade me enfraquece, se me falta a chuva,
reservo água, se me falta sol, me viro pra claridade.
Se me falta o jardineiro, o vento me traz cuidados.
Sou arvore frondosa e forte.
E minhas raízes antes frágeis e cheias de cicatrizes,
estão cada vez mais profundas.
Elas me alimentam e me sustentam, 
posso tombar , mas jamais ser destruída.

Sandra Botelho

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Quando a dor calou um povo


Dos campos em flor surgem águas...
Àguas escuras que descem das montanhas e que
não matam a sede, não molham a terra endurecida do coração,
são águas que caem,envenenadas pela dor. 
Os céus choram, choram a dor de úteros em desespero.
A dor de sorrisos perdidos...
Do aconchego , do colo,
do primeiro dia de aula,
do vestibular, dos sucessos ...
Vem la do sul toda essa dor...
Santa Maria cheia de graça,
aconchegai em suas mãos 
o pranto de mães enlutadas,
caladas na sua dor,
Vem das terras dos olhos azuis essa dor,
que invade montanhas,
atravessa rios e cobre todo manto
azul da terra.
Águas carregadas de lembranças,
a perda da vida, do clarear da vida.
Uma nuvem negra matou a esperança,
ceifou a vida.
Calou a voz dos sonhos,
encerrou os olhos ávidos de emoções,
de pequenos e pequenas que
ainda ousavam sonhar...
E na chama ardente da noite
queimaram-se os corações...
Morte na noite festiva ...
Feridas que jamais cicatrizarão.
Fim...

Sandra Botelho





segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

E no desenrolar dos fatos...


E no desenrolar dos fatos...
É hora de recomeçar...
De afrouxar os risos...
De pendurar os guisos da alegria,
bem expostos no coração...
De sorrir de qualquer bobeira...
De me apaixonar todos os dias,
pela vida, pelos sonhos, por meus amigos...
Por mim mesma!
É hora de dançar na chuva, de mergulhar em fantasias de felicidade.
Hora de botar a mão no fogo.
E se me queimar...tentar de novo.
É hora de compor uma canção de verdade!
E chega de dor...Chega de desamor...
Poemas tristes, só se forem fictícios...
É hora de valorizar todo amanhecer.
Porque cada amanhecer traz com ele a alegria de se poder
gritar...Estou viva!
E enquanto estou viva, posso mudar, posso crescer...Florescer.
E no desenrolar dos fatos...
Reencontros, abraços, beijos, trocas, oferecimentos, perdão.
A magia de estar viva é isso...Todos os dias podemos recomeçar.
Todos os dias podemos mudar o rumo de nossas vidas.
Porque quem muda, não embolora...
Hora sol, hora chuva...Hora tempestade , hora calmaria...
mas é Vida.
E acima de tudo gente, que é gente de verdade!
Gente que se arrepende, que corrige.
Que dá meia volta e segue por outros caminhos!
Gente que não tem orgulho em aceitar seus erros e voltar atrás.
Gente que mergulha de cabeça nesta aventura maravilhosa de amar.
E, se se machuca, cai, mas se levanta e recomeça.
E no desenrolar dos fatos...
Desenrola a vida, desembaraça os fios...
E tece de novo uma nova história!

Sandra Botelho

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O que ficou em mim...


E foi assim...Simplesmente assim!
Você se esqueceu de mim.
E em algum canto jogada,
se esqueceu que um dia,
fui eu ,a tua amada.
Agora nossa fotos amarelaram.
Nosso amor embotou
e somente magoas restaram...
Não mais trocamos risadas,
Não mais nos amamos nas madrugadas...
Tudo foi só fantasia!
Um sonho, que um dia, terminaria.
E agora depois de tantas dores,
você foi atrás de outros amores!
E eu continuo aqui a sonhar...
Esperando que um dia me encontre,
alguém que saiba verdadeiramente,
Amar!

Sandra Botelho

domingo, 9 de dezembro de 2012

Sedução


Pinto a boca cor de carmim
me faço linda só pra mim...
Colo a boca no espelho,
e num beijo estalado
mancho o vidro de vermelho!
Deixo nele  minha boca marcada
um  doce gosto de achocolatada!
Me visto de forma sensual,
aquele vestido informal,
que acomoda perfeitamente meu corpo,
atiçando olhares loucos.
Calço  as sandálias douradas!
Aquela de fitas espalhadas,
que sobem até a canela
e param onde deviam parar,
mostrando apenas o que se pode olhar!
E depois de com perfume me banhar,
me olho no espelho novamente
e gosto desse jeito indecente!
Então pego no sofá a bolsa,
bolsa  pequena de menina moça
e vou pra rua te encontrar!
Nem sei se vai reparar no vestido,
muito menos no batom a te manchar,
mas tenho certeza que o perfume
esse sim, vai te embriagar...
Descabelada e manchada de carmim
sei que vai olhar e sorrir pra  mim...
E com um olhar safado vai dizer:
Ainda amo você!

Sandra Botelho

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Eu queria!




Eu queria ser um sonho!

Desses que se sonha sorrindo...

Que se acorda com vontade de adormecer, 

só para continuar sonhando!

Sandra Botelho

sábado, 10 de novembro de 2012

Anjo Negro


Não , não me cale a boca,
meus gritos te ensurdecem,
Porque a culpa te cala!
Não, não me fira os ovidos com promessas vãs...
Tua boca me ensurdece porque tua lingua mente.
De repente, seus olhos perderam o amor
e na tua face vejo desesperança e mentira.
Vá !Se retire, leve consigo sua arrogância e sua mesquinhes.
Perdoa-me ,pelas noites em que meu corpo ainda te espera
e em contorces de desejo se cala...Emudece, esfria...
Coloque em suas malas ,toda sua astúcia, vai precisar dela
quando encontrares outra desprevenida, que acredite 
em tuas palavras insanas e falsas.
Cubra-se! Está frio...Não quero que adoeça.
Uma mente doente te  faz matar...Um corpo doente te mata.
Não quero que morras antes de sentir a dor, a
mesma dor que me causou.
Limpe o chão antes de partir, há sangue nele.
O mesmo sangue que rolou quando tatuei seu nome em meu coração
Rola pelo chão agora que arranquei o mesmo coração do meu peito.
Cale-se o silencio é melhor que suas palavras...
E na noite sombria se foi, partiu
e nem saudades deixou...
Apenas uma sombra amedrontadora 
do que um dia foi amor!

Sandra Botelho

Silencio

Façam silencio...É hora de silenciar,  de deixar que os pássaros mostrem a sua voz a sua tristeza ... É a vez das pequeninas cr...