domingo, 2 de maio de 2010

Do Inferno ao Paraiso

Caminho entre destroços, pedaços que sobraram de uma podridão mórbida. Naufrago no sangue resoluto e imundo de muitos inocentes e culpados. Crianças correm sobre histórias não terminadas sobre mãos assassinas e inocentes. Ainda restam destroços de muralhas, restos de celas ardentes... O sol se pôs tão cedo para alguns e caminho sobre seus restos mortais. Impedida de me calar eu choro e diante de tantas lembranças imploro, que não repitam-se tais dores. Massacres de tortos seres que defraudaram, mataram, roubaram almas e destinos. O pequenino vai ...levado pelas mãos doces de uma mãe , acarinhado como talvez aqueles que aqui viveram nunca foram. O idoso se apoia em uma árvore e senta, admirando o por do sol Ele talvez pense: Estou tão velho e minhas forças estão se esvaindo aos poucos! Envelheceu, talvez tenha conseguido seus cabelos brancos porque aqui não mais serão libertados seus prováveis algozes. As fardas não são mais armaduras somente sobrepoem alguns homens que se espalham a proteger o patrimonio. A terra ainda tem cheiro suave do sangue, da morte, da dor. Misturado ao som suave das flores ... As celas agora estão abertas e são poucas, somente ruínas de vidas sem luz. A grama verde esconde as colunas e as árvores majestosas decifram enigmas. O sol se esconde por entre as árvores e de repente me sinto só. E o silencio se faz pleno. Posso então ouvir o grito fúnebre dos mortos vivos que não estão mais aqui. E de repente o canto doce de um pássaro me trás de volta a paisagem ao meu redor. E em sobrepostos de horror, para onde um dia foi inferno ,um nome de vida; " Juventude" descabidamente o lugar se faz. Calaram-se os gritos de socorro dos inocentes, mas seu sangue ainda grita da terra Fecharam-se as bocas dos culpados, e sua culpa não foi punida... Caminho entre cinzas de um passado recente , onde a dor se fez sol poente Onde raros sorrisos se perderam, e onde a desgraça morou... Sandra Botelho Foto acima: Parque da Juventude Foto abaixo. Carandirú

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sou...

Sou o longo sono de um dopado, o sorriso viajante de um drogado sou a beira do abismo o riso escancarado do cinismo
Sou o decente e o prudente a que diz a verdade e o que mente eu sou o pequeno e o grande mal sou parte do que é real Sou o cuspir na cara da vida urros de dor na despedida me quebro em mil pedaços mas aos poucos me refaço
Sou a rotina enfadonha de uma mulher que ainda sonha sou a solidão desenhada em lagrimas mas sou a gargalhada desvairada Sou nada diante de tudo Sou o grito surdo e mudo A nudez plenamente vestida o discursar em canção pela vida Sou a pureza e a inocencia o despudor e a indecencia sou candura e a inconsequencia Um grito de amor com elouquencia Sou aquela que se descreve de forma clara sou gente de ideia rara mas me escondo na escrita para que não decifre minha vida Sou a sombra e a claridade o sangrar de vez enquando o ressurgir da noite o dia a menina mulher que fantasia Sandra Botelho!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Mágoas

Adeus...
Cansei de ser sua mentira.
De ser a brincadeira do menino mimado
Cansei de seu querer limitado.
De ser prisioneira do seu querer,
Estou me desvencilhando de você.
Deixando na areia minhas pegadas sutis,
Largando para trás o sonho que eu sempre quis.
O amor que eu sempre desejei
Mas que nunca soube me fazer feliz
Cansei de sonhar com alguém que brinca de amar.
Que não quer crescer, pra ver nosso amor florescer!
Nestas idas e vindas amadureci,
e agora de ti vou me despedir...
Deixá-lo livre como um pássaro feliz
Que vai em busca do que sempre quis.
Amores passageiros e levianos,
que não duram nem dias nem anos...
Que iniciam ao anoitecer e terminam ao amanhecer...
Adeus ...Me despeço agora , bem nesta hora.
Não te desejo felicidade, isso seria falsidade.
Quero que ames alguem, que te faça infeliz tambem.
Que brinque com seus sentimentos e ria de seus lamentos,
Que faça sangrar seu coração e deboche de sua paixão.
Quero que ao acordar magoado se lembre de mim,
E que chore sozinho ao saber que ninguem
jamais, o amará tanto assim.
Sandra Botelho!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Entrelinhas

Ela vai e vem, Levemente flutua ao sopro de uma mínima brisa, Se levanta por vezes e desfia a teia,
Se embaraça se enleia ... E persiste em ir adiante levada pela mão firme de sua guia, E com sua voltas e mergulhos ela faz formas, desenhada em traços de paisagens mimosas e raras, pequenas e firmes. Em cores diversas ela se colore, Em mãos doces ela é serenidade, em mãos ásperas e confiantes ela é paisagem. Não se incomoda da falta de liberdade , gosta que a levem, por caminhos ténues e macios ! Se faz muralha firme para cobertura do corpo. Se desfaz pequenina em flores e mimos. Se desfia , se enfia, se desenrola e se enrola. Mas nestas muitas voltas ela decora. É fina e delicada , mas pode ser grossa e forte. Forma , disforma, torcida e retorcida, Nessa dança levada por outras mãos ela se conforma e se forma, Se forma... Em flores , em céu em desenhos vários ela segue... E quando chega o fim ela se rompe e dorme, enrolada em algum canto, esperando que alguma mão a venha levar de volta a suavidade do tecer. E a linha encosta, em algum cesto em alguma gaveta... Sandra Botelho!

sábado, 24 de abril de 2010

Ultimas lágrimas

Alguém está calada demais, pensativa demais, soturna demais. Acabou de assassinar um amor, matar. Não usou armas, não envenenou, não houve sangue, nem dor física. Apenas a morte. E ela foge, pois tem medo de ser aprisionada de novo, quer partir para bem longe, mudar de identidade, de vida de rosto. A morte de um amor que parecia eterno, mas que foi largado a um canto, cansado de solidão, de platonismo, de rejeição e de dor. Envelheceu, embolorou, empoeirou-se no desuso. Um amor que parecia maior que o próprio universo, infinito como as estrelas e inabalável como a rocha.Um amor que chegou como o mar, suave sereno, forte e majestoso. Um amor que foi fundado em bases solidas e jurado em todos os cantos da vida. Ela se calou, se penalizou e vitimou-se por anos e anos e anos... Culpar a quem? A vida...? Ah malvada vida, que tanto me faz sofrer, porque escolheste a mim? Porque tenho que sofrer sem nem ao menos ter socorro . Fuga? Medo? Comodismo? Ela se culpa, se acovardou e guardou suas armas dentro de um baú cheio de sorrisos de dor. Ela sorri, de si mesma, pela sua carência, ela se resignou as suas fantasias de um amor irreal... Matou, e a dor do funeral a perfura em laminas cortantes... E ela chora na solidão da janela. Vendo a vida se esvair como o amor que ela cultivou e não foi regado...Morreu como planta. Floriu sim, e deu frutos...Mas a velha árvore cansada e ressecada, se dobrou a falta de cuidados. Hoje um amor se faz dor... Hoje uma dor se faz lágrimas...As ultimas lágrimas de um olhar que um dia por este mesmo amor brilhou, com um brilho tão intenso que ofuscava os outros amores, os outros olhares, as outras vidas. Nunca vai pagar por seu crime...Sairá impune? Ela chora sozinha...pensa e chora... Mas serão as ultimas lágrimas... Sandra Botelho

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Abstrato

Me confundo com seus sentimentos... E entre desilusões e ressentimentos, Vou me perdendo em seus temores O poeta que tem tantos amores... Mas se amar é entrega e doação, Eu vivo sem cobranças essa paixão! Paixão que um dia acontecerá, E quem sabe , quando terminará? Se um dia ela aportar em seu coração. Que seja imensa e sem razão, Que seja limpida e transparente, Pra poder fazer feliz agente. Não oculta em meias palavras, Mas derramada em carinhos e desejos. Cantada em palcos e tabernas, E vivida como se fosse eterna! Sandra Botelho!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Ruptura

Entregue a este tormento, Me fiz refem de teus lamentos... Não sabes dividir afeto, nem ternura. Se trancas em odiosas aventuras. Não és verdade, és noite escura! Onde o luar não se aventura... Se esconde em nuvens de loucura, E deixas rastros de censura. Não sabes dividir um beijo, Nunca desenhas seu desejo. É você o ser da noite! Que me trás da dor açoites. Sei que pra ti sou somente vaidade... Sem seu amor sou sua inverdade. Mentiras infames com desprezo. Mesmo sabendo do meu desejo. Cativas e foge como covarde... Não ficas porque ó mero infame? Mesmo que por teu amor eu clame, Sei que teu medo tua mente invade. Mas me calarei ao teu desamor. Não serei mais o teu troféu, Não beberás mais do meu amor o mel. Não me curvarei mais a tua dor. E nessas alguras de solidão... Nunca mais perseguiras meu coração. Pois de ti me distanciarei. E seu nome em meus labios, Para sempre silenciarei. Sandra Botelho!

Meu leme!

Ando sem rumo como um barco a deriva, Escancarando meu coração como uma canção, Jogada ao vento, em um grito devastador.  Um grito d...