Caminho entre destroços, pedaços que sobraram de uma podridão mórbida. Naufrago no sangue resoluto e imundo de muitos inocentes e culpados. Crianças correm sobre histórias não terminadas sobre mãos assassinas e inocentes. Ainda restam destroços de muralhas, restos de celas ardentes... O sol se pôs tão cedo para alguns e caminho sobre seus restos mortais. Impedida de me calar eu choro e diante de tantas lembranças imploro, que não repitam-se tais dores. Massacres de tortos seres que defraudaram, mataram, roubaram almas e destinos. O pequenino vai ...levado pelas mãos doces de uma mãe , acarinhado como talvez aqueles que aqui viveram nunca foram. O idoso se apoia em uma árvore e senta, admirando o por do sol Ele talvez pense: Estou tão velho e minhas forças estão se esvaindo aos poucos! Envelheceu, talvez tenha conseguido seus cabelos brancos porque aqui não mais serão libertados seus prováveis algozes. As fardas não são mais armaduras somente sobrepoem alguns homens que se espalham a proteger o patrimonio. A terra ainda tem cheiro suave do sangue, da morte, da dor. Misturado ao som suave das flores ... As celas agora estão abertas e são poucas, somente ruínas de vidas sem luz. A grama verde esconde as colunas e as árvores majestosas decifram enigmas. O sol se esconde por entre as árvores e de repente me sinto só. E o silencio se faz pleno. Posso então ouvir o grito fúnebre dos mortos vivos que não estão mais aqui. E de repente o canto doce de um pássaro me trás de volta a paisagem ao meu redor. E em sobrepostos de horror, para onde um dia foi inferno ,um nome de vida; " Juventude" descabidamente o lugar se faz. Calaram-se os gritos de socorro dos inocentes, mas seu sangue ainda grita da terra Fecharam-se as bocas dos culpados, e sua culpa não foi punida... Caminho entre cinzas de um passado recente , onde a dor se fez sol poente Onde raros sorrisos se perderam, e onde a desgraça morou...
Sandra Botelho
Foto acima: Parque da Juventude
Foto abaixo. Carandirú





