Marés que se enchem de dor...
E pintado de azul cintilante o céu permanece,
como se nada mais tivesse mudado aos seus pés!
Ouço ao longe tantos ais, emudecidos e sem ar!
Vozes inaudíveis e roucas, entubadas!
E aqui fora o ar sussurra, quase clamando ,
Em breves suspiros esgotado de doar, "leve-me!
Há dor! E por todos os lados ,
Sinto cheiro de morte...
E quantos ais, quantos mais?
Até o despertar do amor?
De joelhos peço ao sol,
De-lhes empatia, um fragmento que seja;
Nos corações humanos...
É pueril a vida...
Porque alguns poucos acumulam dentro de pequenos corações
Todo ouro do mundo?
Não ha eternidade... não para o material, não para o ouro...
Há sim para os pequenos e grandes gestos de amor, de empatia e de paz!
Ouvidos surdos , olhos cegos .. é o que os grandes têm!
Ganancia e poder é o que anseiam...
Ouço aos longe canções e risadas...por ai gargalham!
Riem de mim, de ti, de nós!
E o mar revolto, ondas a se equilibrar no vento...
Corações sem alento!
O ar escasso...escasso ar...escasso amor,
Ocos corações!
Enquanto isso o adeus!
Faltou ar...Corações desaceleram...param!
Pulmões vazios de ar!
Fim...fim...fim...!
Milhões de finais...vidas, sonhos, planos...olhares!
Sorrisos...Dons...vozes!
Vivo platéia de tantos ais
Morro platéia de tantos finais!
E então choro!
Sandra Gonçalves






