sábado, 25 de outubro de 2014

Quase como Icaro


Uma foto no porta retratos meio amarelada
mostra um tempo em que as asas eram mais ágeis
O móvel velho que era do avô
Um pouco de perfume guarda um cheiro de domingo
Uma pitadeira que o cigarro abandonou
Sensações e loucuras de um tempo distante
Ácidos, drogas e rock and roll
Mulheres, muitas mulheres, inocentes
coerentes, loucas indecentes,
Sexo, carência , pouco amor, muita dor!
Vida louca vida , mais que doida
Amigos , do passado , comparsas
Amigos de hoje , amigos leais , nem tanto, sim tanto e quanto!
Os que vem , os que nunca vieram e os que vem todo dia
os que amam, os que nunca amam e os que jamais amarão
O casaco atrás da porta, com o cheiro de óleo
A moto que nem mais liga, desliga se liga!
O velho jipe, o novo, o novo velho e tudo parado
Parapente, parado, o pente sem dente o vento,
vento leste , sudeste o noroeste!
Vento bom, vento ruim, aqui la, lá e aqui!
Não, não importa mais, ventou, passou!
A fala mansa , o andar que cansa, o riso!
Ah o riso! raro riso, riso raro, emoção, canção.
O choro, a toa, bobo, de bobeira, Risos
Ri de si, ri do outro, apenas ri e chora!
O cigarro, quero fumar,...Amor quero fumar!
Dói a perna dói, dói a alma,
Deus...
Meu Deus, assim,não dá!
Dá , dá sim, a vida sempre dá, dá esperança!
Junte as tralhas, junte os cacos, plante tudo
e não haverá final, mas sim recomeço!
Vem amor me de a mão!
Vamos juntos, devagar, por esse caminho que ha de nos levar
Onde a vida planejou.
E na fumaça do cigarro não fumado, flutua no céu um ser alado
Sandra Gonçalves

Um comentário:

Manuel disse...

Muita angustia nesse jogo de palavras e sentimentos.
Há como um desejo de não desejo, encontros e desencontros.
Belo de mais.

Espero, cara amiga, que tudo esteja bem!