domingo, 30 de maio de 2010

Ilustríssima ninguém

Sob águas turvas viveu, sobreviveu, nasceu...
Por caminhos obscuros  sempre caminhou..Quis brilhar...
E brilhou, por breves e incomensuráveis momentos...
Esteve sob aplausos, e luzes e extremo glamour.
De silhueta delgada, cabelos de um negro corvino e olhos escuros, ligeiramente amendoados como os orientais. Olhar vivo, inteligente, com algo de felino em sua mobilidade...
Porem nublados pela dor...
Sugeriu a vida fácil e derramada em orgias e drogas delirantes,
assassinas e inconsequentes...
Não se saciou com a fraqueza de uma viagem, queria o submergir do mar e
acordada  cegava sua vida, fossal.
A mente mergulhada num delírio de visões impetuosas,
arrancava-lhe o véu que Deus colocou sobre  suas mais secretas vergonhas.
Na vã impaciência do que lhe restou de sobriedade,
como poucos se escondeu na liturgia santa das palavras.
 Nunca se regenerou, e o tempo sempre em guarda a esperou.
Despejou sobre os olhos o óleo santo de unção
Cegando-se para a luz...
Empanturrou o coração de escárnios e mentiras
enegreceu seus pensamentos.
E remoeu suas lembranças, vomitou seus temores
e órgãos de dor
Emergiu e se afogou em sangue e vomito.
 Desperdiçou suas horas bêbada e embriagada de infortúnios
Nua e em chagas, viveu na metamorfose imunda de casos ,em caos.
Se debruçou sobre os espelhos da imaginação e se viu beleza...
Vã e passageira beleza...Vão e passageiro estrelar, brilhar!
Incinerou velhos casos e fotos e poemas.Rasgou com eles o coração.
No cheiro putrefacto de um canto medíocre que pagou com gozos pagos e permitidos
De vadias almas e mal cheirosos corpos.
Caída e desnuda, com sangue na boca qual ave agredida jogada de onde jamais saíra.
Roupas em farrapos e ainda o semem quente e incólume de algum verme
dos becos
Um corpo, que se fez morada de demónios e chacais, uma mente rodeada de fétidas lembranças.
Um estupro de valores, um pseudonimo insano de mulher
Uma desistência, uma entrega , um corpo em decomposição vitalícia
A morte...A única esperança.
Na vida escuridão, Na morte...Os reflectores
paginas satidicas de jornaleco sensacionalistas
Emergem graças ao fascínio, sádico do povo
E assim morreu uma ex estrela...


Sandra Botelho!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Luz e sombra

Ele grita, esbraveja
se ofende, se nega, se contorce...
Ele xinga, ofende, magoa se perdoa.
Ele vibra, irrita, grita, vomita.
Ele é assim...
meio homem ,meio maluco, meio desorientado.
Um inconformado...
Sofrido... pela dor escrachado.
escroto, se sente injustiçado...
malandro deveras desajuizado.
ele é genio, mascarado, arrogante, metido.
Simplicidade inverdade e drama,
escreve, desenha ,delineia, ordena.
brinca de esconder  com as palavras em duplo sentido
não condena, não acusa,faz  tudo escondido.
ele é mau, ele é bom,acredita que é grande em atos e dons.
mas ele é futil, é inutil ,verdadeiro, derradeiro, contundente...
ele é gente diferente, malvado, bondoso, horroroso.
mas ele é lindo, é doce, é amargo...
ele é menino, ele é homem, é destino.
ele é fino, ele é grosso, é suave ,um bom moço.
ele é complexo, desconexo, libertino, prisioneiro.
ele é coerente, incoerente, exato, inexato
ele é incrivel, infantil, maduro, imaturo.
ele é vida é morte, é azar e é sorte
ele é fragil, mas é forte, é guerreiro já foi morte
Ele é decepão, é coração, tem barrreiras
ergueu  fronteiras, se protege agride.
Se mostra ou se esconde, é real ou fantasia?
verdade ou mentira?
Se denomina frustrado, o porque ninguem sabe.
Seu coração ele nunca abre.
Ele chora?
Ele ri?
Ele existe? 
Ele vive ou sobrevive?
Ele ama?
Ele odeia ou desama?
Condena ou absolve?
 É homem ou espectro?
Quer bem conviver? Desista de o entender.

Sandra Botelho

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O maior amor


Como posso fazer uma canção para vocês?
Se já são a mais linda canção que já ouvi!
Como posso lhes falar do meu amor?
Se são para mim o próprio amor!
Talvez lhes mande flores,
mas onde encontrar flores tão belas?
Pois estive em todos os jardins do mundo,
E flores mais belas que vocês nunca encontrei...
Talvez lhes faça uma poesia.
Mas como rimar tanto sentimento
profundo, abstrato, constante, puro e infinito?
Ah! Isso não seria possível, não sei se poderia...
Queria poder lhes dar o sol,
mas dele sinto pena, 
como há de se sentir o pobre
quando seu brilho for ofuscado pela luz que emitem?
Posso lhes dar a lua...
Mas em seus olhos o luar é tão mais belo!
Talvez lhes comprasse um campo verdejante e belo...
Ah! Mas havia me esquecido,
Não existe verde mais lindo que o de seus olhos...
Então vou lhes presentear com o brilho das estrelas.
Mas...sem elas como poderia na noite escura admira-los  dormir?
Lhes darei então o mais belo dos sonhos. 
Puxa!!! Me esqueci... Não há sonho mais lindo que vê-los sorrir.
Ah!!! O mar... Quem sabe o mar...?
Com suas ondas... seu azul infinito...
Não. O mar não.
Seria horrível, não poder mais vê-los correndo na areia 
e voltando a mim com o sorriso nos lábios, 
Isso é puro encantamento...
Ainda não consegui encontrar um presente do tamanho da felicidade que
me dão todos os dias ...
Por isso meus filhos, por enquanto lhes dou
O meu maior amor, o meu coração e até a minha vida.

Sandra Botelho!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Renascer

É noite...O desespero toma conta dela, já não é mais uma garota, mais ainda ama como se fosse...
Da janela ela observa a rua, chove, de uma forma calma e silenciosa.
Não existem temporais, nem na noite , nem na alma daquela mulher.
E ela se debruça sobre os cotovelos na janela e simplesmente chora.
Sente a brisa correr por seus cabelos e sai, abre a porta e sai.
Temendo a noite, temendo o frio e a chuva.
Mas nada mais a impede, apenas a dor a impele.
Caminha sozinha por caminhos sombrios, onde os bêbados dormem e o lixo se acumula.
É negra a noite e frio o vento..
Ainda nos trajes de noite ela corre, sem destino, sem rumo, sem esperanças.
No seu coração, apenas pedaços do que um dia foi felicidade. 
Sente o sangue parar, dentro de si, e o ar faltar, a desesperança e o medo, a dominam
e ela corre, por lugares negros, ela se esconde na noite...
Sufocada pelas lágrimas que caem rolando como rolam palavras ao seus ouvidos, 
que a deixaram surda para a felicidade, que ainda pode existir.
Mas de repente percebe que o sol nasceu, e um raio tímido lhe corta a face. Aquecendo seu corpo gelado e umido.
Um toque morno lhe cobre o corpo. Quando olha ao redor em um canto sujo e mau cheiroso, ela percebe um sorriso, O sorriso de uma criança a quem a vida nada deu.
E aquele sorriso, naquele momento a faz se sentir viva.
Com motivos para seguir, para viver...
Então ela estende as mãos aquela pequena menina, que sorria, que ainda tinha um coração cheio de esperanças e felicidade.Nos olhos o brilho encantado e puro de quem ainda não havia conhecido a maldade.
É ai que seu rosto perde a expressão de dor, e ela percebe que aquela menina era ela, a menina que ainda vivia dentro dela, e que o sol trouxe de volta...
E ela decidiu ser feliz, e viu que isso era fácil, só dependia dela.

Sandra Botelho

terça-feira, 25 de maio de 2010

Fim

Quando tudo parece se apagar,
Quando deixa de ter o colorido do mar,
Quando ele perde o encanto,
Quando o amor parece coberto por um manto.
Quando ele já não é belo,
Deixou de ser sincero,
Se tornou simplesmente igual,
Alguém bastante normal.
Já não te surpreende mais,
Não é mais tão inteligente,
Nem suas canções são diferentes,
Se tornou igual aos demais.
Seu desejo já não lhe consome.
Não sente a brisa gritar seu nome,
O vento não traz mais seu perfume,
Nem o coração sente ciumes.
Suas mãos já não te acariciam,
Nem suas palavras te aliviam,
Seu sorriso é sem vontade,
E seus pensamentos sem saudade.
Quando já não dói a distancia,
E tudo é sem substancia.
Não tem mais vontade de fazer amor
Chega a sentir horror.
Quando uma musica não diz mais nada.
Não mexe com seus sonhos,
Não te faz apaixonada...
Não te deixa alucinada.
É como um violão de cordas arrebentadas.
Onde não se toca mais nenhuma canção
Onde não se compõe mais emoções
E foram apagadas todas as sensações
É porque chegou o fim
É hora de sair ,abrir a porta e partir
Antes que o amor se torne amizade
Antes que qualquer carinho se acabe
Me contentar com aquilo que ele pode me dar
O breve sabor de um beijo
O toque sutil de um desejo
E um olhar que fingia me amar
Despedir-se dele com um olhar
Deixá-lo voar para outro jardim
Guardar dele o melhor que ha em mim
E ir em busca de uma nova maneira de amar...
Sandra Botelho!
Tem homenagem no Gotinhas, Visitem e prestigiem um grande Poeta
Conheçam o Ultimo soneto.

domingo, 23 de maio de 2010

Amor em chamas

Pode queimar nossa cabana,
Hoje o fogo não me amedronta mais.
queime tudo que te lembrar nossas noites
queime tudo que te lembrar nosso amor...
Pode queimar nosso tapete, jogue-o na lareira
deixe que as chamas o consumam e espalhem pela casa o cheiro de nossos corpos em fumaça...
Queime, nossa poltrona, onde ficavamos espalhados, apenas sentindo o tempo passar,
Jogue nas labaredas, nossos lençóis, que sempre amanheciam no chão,
Arranque o chuveiro, que tantas vezes molhou nosso amor
Queime-o...
Queime nossas fotos, até aquelas tiradas depois do amor, para que não nos reste lembrança alguma.
Jogue-as nas brasas que ainda ardem em chamas...
Queime tudo que tem teu cheiro, que tem teu sabor, que tem teu gosto...
Queime nossos travesseiros, que tantas vezes sufocaram nossos gemidos de prazer.
Queime-os para que não delatem um amor que foi infinito
Queime nossos sonhos, pois eles não se realizarão mais,
Queime nossa gula de amor, nossos desejos , e esperanças, queime nossos planos...
Arranque do guarda roupas minhas camisolas,queime-as... Espere... Deixe a vermelha,
aquela que escolhi para te enlouquecer...
Queime tambem nossa cama, mas antes me ame, e deixe que as chamas já espalhadas pelas cortinas e pelas roupas jogadas ao chão nos consuma enquanto fazemos amor
Vou me vestir de vermelho, assim serei confundida com o fogo que já me incendeia...
Incendiarei teu corpo, envolvida em nosso amor que agora finda...que agora é cinzas...
Assim morreremos nos amando, incendiados e incendiando, como labaredas em meio as chamas!
Sandra Botelho

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Canto triste...

Quando fecho meus olhos,
É teu rosto que me sorri.
São sinceros seus sorrisos,
Mas, você não sorri pra mim.

Foram dias de luar...
Em que me atrevi a te amar,
Me entreguei sem reserva,
Mas meu olhar agora é treva...

Nunca soube quem tu eras.
Te fiz flor, te fiz quimeras...
Diante de tanta indiferença,
Perdi no amor toda crença!

Agora sozinha canto e choro,
Um canto solitário e vazio.
E ao tempo agora imploro,
Que leve este amor como um rio!

Sandra Botelho!


quinta-feira, 20 de maio de 2010

Inocência perdida

Era Dezembro...Dias chuvosos...
Em algum canto de uma cidadezinha do interior, dois amigos brincavam , de lados opostos de uma cerca de arame farpado.
De um lado uma mansão, onde o pequeno mulato não ousava entrar, seu dono e pai do amigo era um sargento, gordo, branco ,de bochechas rosadas e cara amarrada.
Daqueles homens que as crianças tremem somente de olhar.
Olhos faiscantes e fuzilantes de maldade. Mas seu filho ainda tinha a inocência das crianças que não fazem divisão de classe, nem de cor.
Sua casa, imponente e majestosa, se destacava entre as outras.
E eles brincavam . Com um bodoque nas mãos faziam guerra de mamona.
E aquele mulatinho paupérrimo, que morava em uma casinha miseravelmente simples, por azar acertou uma mamona no menino rico.
O menino em prantos correu a contar para o pai, que urrou de raiva.Dizendo que ia expulsar aquele negrinho de lá. Não se ouviu uma só palavra do menino rico a favor do amigo,era o que se esperava dele , já que ele sabia que tinha sido apenas uma brincadeira.
Quando sua mãe exausta chegou do trabalho, o malvado sargento já estava a porta a lhe esperar, e não demorou a vomitar toda sua ira.Exigindo aos berros que ela sumisse dali com toda sua família. O desespero tomou conta de sua face, e ela se perguntava em desespero:Para onde vou, com quatro filhos?
Chovia forte , ela entrou em casa e logo despejou sua raiva em cima do menino, o colocando de castigo de joelhos sobre tampinhas de garrafa.Pegou sua filha que estava a um canto chorando de pena do irmão e agarrada a sua única boneca, a qual ela tratava como um tesouro.
Puxou-lhe pelas mãos e saíram as duas a procura de algum lugar para morar, A menina olhava vez por outra nos olhos da mãe e via que as lágrimas se misturavam a chuva que molhava todo seu rosto.
De repente a chuva aumentou muito, e os panos que a menina usava para cobrir sua boneca não suportaram e se encharcaram, a menina desesperada e cheia de ódio por aquele sargento, puxou a mão da mãe e disse: Olha mãe, os cabelos da minha boneca estão encharcados.
A mãe olhou e disse: Estamos encharcadas e você se preocupa com a boneca? Ora deixe-me em paz..
E ela não conseguia tirar os olhos da boneca, cujo cabelo ia se dissolvendo.
E no seu coração, a dor crescia, o ódio pelo sargento também, sentia pena da mãe que batia de porta em porta, pedindo abrigo ou um pequeno comodo que pudesse alugar para morar e abrigar seus filhos, mas sempre a mesma resposta. È véspera de natal estamos comemorando, isso é dia de bater a porta dos outros?
Andaram por toda noite e nada...
Voltaram a casa, o menino já estava dormindo caído sobre as tampinhas...
Ela o olhou sentou-se em um canto e chorou, a expressão em seus olhos era de cansaço, estava cansada de viver...
Não foi necessário que se mudassem, no outro dia a morte a levou.
Foi quando percebi, que naquela noite de véspera de natal, ela pediu a morte
Naquele momento ela havia desistido.
Nunca consegui perdoar aquele sargento. E no meu coração ainda sinto a mesma raiva que senti dele, quando vi minha única boneca se perder com a chuva, quando vi minha mãe desistir de viver. Quando vi meu irmão de castigo.
Foi quando percebi o quão grande era a maldade humana.
E foi assim..E a menina era eu....
Sandra Botelho!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sacia-me ?

Meu corpo queima a te esperar, mergulhado em suspiros errantes!
Em minha mente desenho teu corpo, em pequenos pedaços e membros e linhas e traços...
Ah!...Suspiros carregados de desejo e chocolate,
Chocolate derramado, escorrido, pronto para ser degustado!
Sentidos em explosão, ebulição... Cheiros , fragrâncias,ânsias, fantasias...
Como macho degusta meu cheiro, cheiro de cio, cheiro de meu.cheiro de gula...
E você vem , percebe meu grito profano e covarde.
Chega e ordena, nunca pede, e é assim que me entrego ,é assim que nunca me nego.
Mãos que deslizam, por partes e cantos e recantos de corpos envolvidos em uma
nudez de sentidos, de pudores, de almas.Libertinos, vadios e apaixonados...
Boca que me decifra em lambidas delineadas por pequenas mordidas e beijos
devoradores e suaves.Lentos e selvagens!
Me pega, me contorce e me engole...
Me tira a febre, me aquieta as entranhas, se delicia em mim, se derrama em mim.
Quero-te, em mim, em meu corpo, em minha mente, escancarada e leve, flutuo de prazer.
Fugimos do óbvio, nos  enlouquecemos ainda mais... E eu te chamo, te clamo, te imploro por mais...
Vem! Vamos escandalizar os amantes, fazê-los morrer de inveja do nosso prazer, 
ensurdece-los com sussuros e gemidos
Contorno teus lábios com chocolate e te devoro.
Com a boca desenho cada pedaço de ti.
Olho em teu rosto e sorrio, por sentir pintada em tua face o quanto lhe enlouqueço.
E o teu prazer é o meu prazer, e o nosso prazer é infinito mesmo que por horas.
Eu e você, uma pintura em tela, um desejo infinito...
Um emaranhar de corpos, que se transformam em um só...
Em afrodisíacos óleos mergulho teu corpo, e sobre ele debruço o meu, em um vai e vem inebriante...
indecente e deliciosamente nosso.
E nossas bocas se colam, e nossos olhos se olham e nossos corpos ardem 
Em brasas, em labaredas, e quando te sinto em chamas...
Ai é que acalmo, evito o êxtase, quero ainda leva-lo as nuvens ,acima das nuvens.
Quero-te insano...Animal,  meu, escravizado ao meu querer.
Agora eu te ordeno e tu me obedeces, sem reagir é assim que te quero.
Em minhas mãos, para me tatuar em você...
Não te cobro nada mais que o prazer que sempre me trás, quero-te meu, nas noites madrugadas, 
em todas as luas e noitadas...
E você vem, como fera livre e doce. Me enlouquece, me devora, me sacia e vai embora...
Até que amanhece e o dia, nos desperta para um novo ritual do amor....
E novamente te grito...E te imploro...Sacia-me?

Sandra Botelho



segunda-feira, 17 de maio de 2010

Um doce som

Sem ar e sem palavras, emudecida diante do encanto de um som! Um som que ouço ao longe , sem letras nem palavras... Um som que me emudece e intimida. Simplesmente um som... Que diz tanto e não me deixa falar, que cala minha voz e meus sentidos Um som que necessito ouvir,... Apenas o som, simplesmente um som, Que vem com a leveza dos sentimentos, que se torna real, que me faz real, que me inebria e que me encanta! É leve e doce como o canto das ondas a rolar na areia. Como o vento a se envolver nas folhas em um farfalhar melódico Como o som do riacho a deitar sobre as pedras, Como o assovio suave da brisa... É simplesmente um doce som, como uma cantiga de ninar, que trás o sono doce e tranquilo! Que desliza pelos ouvidos penetra no coração e encanta a alma. Que atiça os sentidos e o coração dispara... Um som, que move os desejos, que inspira beijos e ternura, que atiça loucuras... Que se faz musica que me faz musica... Que é forte e doce, e que seja como fosse, seria mesmo assim lindo e acolhedor. Apenas um som...Apenas um doce som... Sandra Botelho!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

"Apaixonados" concorre como melhor poema





Estou concorrendo como melhor poema no
http://simplythebest01.blogspot.com/

Com este poema.
Conto com o voto de vocês meus queridos amigos.
É somente uma grande brincadeira e uma forma de divulgarmos nossos blogs.
Obrigado pelo carinho!!!

Apaixonados


Vamos desperdiçar nossas horas,
Compor canções sem nenhuma afinação,
Vamos brincar de ser crianças,
Vamos nos emaranhar numa paixão!

Flutuar sobre os limites da razão...
Deixar fluir toda emoção,
Sem nos preocupar se estamos certos,
Correr por mares, montanhas e desertos!

Vamos fazer uma canção de amor,
Uma canção que jamais fale de dor,
Saciar nosso desejo, de um beijo,
Nos amar sempre em todo ensejo!

Vamos acordar dessa brincadeira,
Sorrindo e falando besteira,
Zombando dos que nos criticarem,
Sentir que falam, por nos invejarem.

E quando a canção estiver pronta,
Vamos cantá-la as multidões,
E prontamente todos entenderão,
O poder enlouquecedor de uma paixão!

Sandra Botelho

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Exaustão de amor

Hoje vou trancar meu coração, vou chorar de uma vez toda minha dor Não quero lágrimas contidas, nem palavras distorcidas... Hoje quero me entregar a essa loucura que é viver, viver sem ter medo do fim, de dizer nunca mais... Hoje vou deitar meu corpo fraco de dor na cama e chorar... Não quero mais implorar, não quero mais gritar e me ajoelhar, diante das impossibilidades a mim impostas Não vou mais correr de braços abertos, esperando o abraço retido e distante. Hoje vou me aportar em algum porto e simplesmente deixar que me amem o quanto quiserem e como quiserem. Hoje serei somente um corpo, vagando em voos infinitos e erróneos, sem amor sem virtude. Me trancarei em sentimentos e lamurias, esquecerei a doçura de carinhos esperados e sentidos sem toques ,nem encontros. Vou mergulhar em um grito desesperado e covarde, serei covarde ao menos uma vez, e deixarei de lutar. Hoje estou cansada...Esgotada de amar e de sentir Vou ser vazio e abismo sem fim... Serei o pior que há em mim, Um dia minhas asas ganharão forças e não haverá limites para o meu canto... Para meu voo breve e eterno. Mas não sonharei mais, a partir de hoje e sempre, navegarei em mar sereno. Mesmo que me afogue em tanta serenidade. Meu coração se tornará plasma Viverei o que a mim é imposto, sem reclamar, sem chorar. Hoje me despeço... Hoje me esqueço... Hoje me transformo. Hoje morro... Morro em sentimentos, morro em sonhos, morro em romantismo. Simplesmente morro... Talvez amanha renasça...Pois o sol trás novas esperanças , novas alegrias e novos recomeços. Sandra Botelho! Tem homenagem no Gotinhas

quarta-feira, 12 de maio de 2010

De tanto te querer...

Quero-te tanto que chego a duvidar de tanto querer Quero-te tanto meu doce amor, que tanto querer chega a ser dor Quero-te tanto e tanto que mesmo em pranto me encanto Quero-te tanto que me esqueci de mim, e por isso vivo assim Quero-te demasiadamente vida minha, Que em meu coração nenhum amor se aninha Quero-te em febre de querer, quero-te e não posso mais me conter Tatuado em meu coração, não posso mais retirar-te E por isso só poderei amar-te Quero-te tanto que até meu silencio grita teu nome Que até meu corpo,te chama meu homem Quero-te neste querer absurdo exagerado, enciumado Quero -te egoisticamente, deliciosamente meu amado Quero-te minha canção, venha arranque de mim a razão Amo-te como amo minha vida, não me recolhas em despedida Ama-me como amam os enlouquecidos, os desvairados, Ama-me como se amam os absurdamente apaixonados A ti me entrego, me derramo e a nada me nego Sou simplesmente tua, eternamente e censuradamente nua. Derramada em palavras, escancarada em desejo Sonhando, fantasiando desejando com fome teu beijo. Quero-te tanto... Sandra Botelho!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Meu maior amor

Você é minha doce canção Notas dedilhadas no meu violão Você é gota de paz Onde a dor já não cabe mais Você é sopro de alegria Minha porção de fantasia Você é brisa serena Chuva fina e amena Você é mel que escorre em palavras Quando nasceu a dor tu não estavas Você é suave caricia Doces toques sem malicia Você é meu amanhecer Minha alegria ao entardecer É meu suspiro adolescente Pensamento constante em minha mente Você é ar que respiro É o poema em que me inspiro Você é toda minha vida Meu amor, minha unica saida E por te amar assim respiro Por te desejar tanto me inspiro Por ti eu vivo cada instante Serei sempre tua: Amiga , esposa, amante! Sandra Botelho! Tem homenagem no Gotinhas...Passem lá! http://gotinhasdeternura.blogspot.com

domingo, 9 de maio de 2010

O doce beijo de fel

Todos os dias eu regava meu jardim, era como um presente para mim. O mais curioso era ver o namoro caloroso entre uma flor e um pássaro garboso. Era ele um pequeno colibri, que para toda flor sempre sorri. Ela do amor se fez cativa. Por isso de todas era a flor mais viva Mas o pequeno beija flor, que docemente sugava seu mel, Também beijava outras flores, E por todas destilava o seu fel. Ao caminhar pelo meu jardim, pude notar ao olhar para ela, que havia sido a flor mais bela, agora era tristeza sem fim! Suas pétalas sem viço nem cor, me deixaram curiosa, perguntei ao bem-te-vi, o que havia acontecido a rosa! Ele cochichou-me em verso e prosa! E para vocês agora eu conto, A triste historia de amor, Entre um passaro e uma flor! Se apaixonou por um errante, um pequeno pássaro viajante, que nunca ama a ninguém, e de todas quer ser amante! Seu pequeno coração malvado, Não quer amar, é coração alado, Que deixa a flor abandonada, Quando ela se diz apaixonada. A triste história da rosa, É para nós uma lição, Nunca se apaixone por alguém, Que não tenha coração! Sandra Botelho!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Minha MÃE...Uma historia de dor!

Nasci em uma familia pobre, extremamente pobre, nunca tive sequer uma cama que fosse minha, dormiamos eu e mais três irmãos em uma cama de solteiro. Dois dormiam para os pés e dois de cabeça para cima, eram chutes a noite toda. Nunca tive direito a infancia, acho que por isso sou tão criança hoje. Minha mãe e meu pai no mesmo quarto em outra cama pequena. A casa tinha dois comodos, feita de bambu e barro. O chão era chão mesmo, terra batida, para varrer era necessario jogar agua," aguar" o chão como minha mãe dizia. E era o que eu fazia todos os dias enquanto minha mãe trabalhava. Meu pai era bastante cruel, alem de alcoolatra espancava minha mãe e nós tambem.Um dia para que ele não matasse minha mãe. foi preciso meu irmão lhe bater na cabeça com o cabo da vassoura. E ele desmaiou, ao menos salvamos nossa mãe, a surra foi enorme depois, mas valeu a pena. Um dia minha mãe tomou coragem e o mandou embora. Ficamos nós, quatro filhos para ela criar e sustentar sozinha. Trabalhava em um restaurante durante todo o dia, era cozinheira. O dia todo durante anos com aquele calor no abdomem lhe custou uma insuficiencia renal grave. Eu com apenas cinco anos tive que me tornar a mulher da casa, somente um irmão era mais velho que eu e tinha que sair para arranjar uns trocados, vendendo picolé. Então a casa e os irmãos menores ficavam por minha conta.Não tinhamos agua em casa, então caminhava cerca de dois quilometros para lavar roupas, com o irmão na cintura e o balde na outra mão. Lá eu o colocava a brincar na agua, enquanto eu lavava as roupas. E tinha que voltar para levar agua pra casa. Apenas cinco anos, hoje custo a acreditar nas coisas que a vida me obrigou a fazer com apenas cinco anos. Cuidar de uma casa(se é que se pode chamar aquilo de casa.) e de dois irmãos pequenos. A comida era feijão com açucar, uma refeição por dia, minha mãe colocava um banquinho ao lado do fogão á lenha para que eu pudesse alcançar o fogão e esquentar e dar aos irmãos. No domingo era uma festa pois tinha arroz. Um dia meu irmão apanhou muito porque roubou couve do vizinho e o vizinho descobriu, contou a minha mãe e ela bateu muito no meu irmão. Ela dizia: Somos pobres mas somos honestos. Ela sempre saia para trabalhar de manhazinha e voltava tarde da noite. Não entendiamos porque trabalhar tanto, vim saber depois... Numa dessas noites chuvosas, e tristes onde sempre parece que alguma coisa muito ruim vai acontecer, realmente aconteceu. Ela gritava desesperadamente de dor, um grito horroroso que até hoje não me esqueço. Vi meu irmão sair correndo a procura de socorro, e minha mãe tempos depois, ser levada, já em silencio.Horas depois um caixão roxo, chegou e ela dentro. Na mesma hora em que vi o caixão eu me lembrei das palavras dela," quando eu morrer quero ser enterrada em um caixão roxo". E pensei: Ao menos agora fizeram a vontade dela. E ela só tinha trinta e seis anos. Não sai de perto dela até na hora do enterro, nunca soube onde minha mãe foi enterrada, não nos deixaram ir. E nunca ninguem nos falou. Nenhum tio, nem tia, nem primo, nenhum parente apareceu até hoje. Depois da morte de minha mãe ficamos um tempo sozinhos, já que meu pai mesmo sendo avisado não apareceu. Fui levada para casa do patrão dela e por lá fiquei. Fomos todos separados, e por muitos anos vivemos assim, cada um tem sua historia, sua dor suas dificuldades. Mas voltando a minha mãe, ela sempre trabalhou demais, até acho que não gostava muito de mim, sempre dizia que eu não prestava que me parecia muito com meu pai, nunca entendi o porque daquilo, mas sempre a perdoei e perdoo. Bom depois de muitos anos meu pai( adotivo) comprou outro restaurante e contratou uma cozinheira que havia trabalhado com minha mãe. E foi ela quem me contou o porque de minha mãe trabalhar o dia todo e a noite. Ela estava comprando uma casinha para nós. Somente o dinheiro do restaurante não dava. Então como era bonita de corpo e atraente, ela se prostituia a noite. Quando fiquei sabendo disso , não tive raiva, nem vergonha de minha mãe, mas sim orgulho. Ela se matava para tentar nos dar um futuro melhor. Mas não conseguiu , a morte a levou antes. Minha mãe, minha heroina, uma mulher que me ensinou a nunca deixar de lutar, que me ensinou a superar obstaculos desde bem pequenina, uma mulher que me ensinou a ser mãe aos cinco anos de idade. A cuidar, a proteger, a amar, a me doar. Minha mãe, uma cozinheira, uma prostituta, mas Minha MÃE, meu maior orgulho. Hoje eu sou mãe, procurei ser a melhor mãe que eu poderia ser para meus filhos, dei a eles todo o amor que nunca tive. E são meus presentes, Minha vida. espero um dia poder encontrar minha mãe e poder dizer a ela o que não tive tempo de dizer.
MÃE EU TE AMO!
Sandra Botelho

Para Sempre Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento. Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra - mistério profundo - de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Cúmplices

Te envolvo, te alcanço, te laço.
Te arranho e acolho em meus braços...
Te faço pensar que sou tua,
Vestida, semi ou completamente nua.
Te enlouqueço quando te toco,
Faço de mim teu maior foco.
Sou fêmea, gemea perdida.
Sou menina mulher parida.
Me enrosco em teus pensamentos,
Sei ser teu riso e lamentos.
Te enlaço em minhas pernas e seios.
Satisfaço todos os seus anseios.
Me contas tuas fantasias,
Realizo plenamente suas heresias
Desliza em mim tua mão,
Me devora com gana e paixão!
Somos cumplices nessa loucura, De nos amar sem nehuma censura! De nos perder nesta façanha De quem ama, toca deseja assanha...
Estou aqui com meus desejos,
A esperar teus todos beijos.
Esparramados por minha pele,
Se entregue, se doe e revele!
E quando a paixão te queimar
Me chame que volto a te amar
Te amar na cama , na areia , no chão
Simplesmente desfalecer de paixão!
Sandra Botelho! Visitem...Ao Alcance do Olhar

terça-feira, 4 de maio de 2010

Caipirês

Bem contente tava o moço, Que dispois de muito andá, Conseguiu na catirada, Uma bela mula,lhe tirá. Ele que era muito simprão, Fez aquilo na emoção. E o outro muito esperto, Era além de tudo largão. Viu sua viola em caco, Quando oiô na estrada, O cabrão levando imbora, Sua mula acabrunhada. O pisódio desse homi, Não ficou por isso não. Enquanto o prato ele surtia, Na cabeça dele, um furdunço firvia. Seu fio, que na capitá estudava, Ainda nos negócio não parpitava, Graças ao emborná da sabeduria, Um dia, administrante ele seria. Prá mudá o rumo da prosa, Vou falar um pouco da Rosa: Sua muié, sua amada, Sempre cum ele na matinada. Essa não entra na catira, Num tem preço que pague essa muié, Deiz anos com ele namorano, E a coitada ainda lhe qué. Vortando ao tal do negócio, Que levou uma manta danada, Quiz ir atrás do disgraçado. Decidir essa catirada. Queria ver o tar do macho , Que aproveitou do seu deslaxo, Metê o carcanhá na bunda, E sumir por esses morro, Com a mula na carcunda. Mas essa narquia não é coisa que se faça, Vortá atráis da palavra dada, É realmente uma disgraça. Fica mar prá ele na praça. Pensando bem já tava empapuçado, De falá nesse negócio. Decidiu deixar de lado esse furdunço, É mió num cutucá esse jagunço! Toca pá diante esse assunto, Chega de chorero atoa, Mió ele envorvê com aRosa... Que é coisa mió de boa. Sandra Botelho

domingo, 2 de maio de 2010

Do Inferno ao Paraiso

Caminho entre destroços, pedaços que sobraram de uma podridão mórbida. Naufrago no sangue resoluto e imundo de muitos inocentes e culpados. Crianças correm sobre histórias não terminadas sobre mãos assassinas e inocentes. Ainda restam destroços de muralhas, restos de celas ardentes... O sol se pôs tão cedo para alguns e caminho sobre seus restos mortais. Impedida de me calar eu choro e diante de tantas lembranças imploro, que não repitam-se tais dores. Massacres de tortos seres que defraudaram, mataram, roubaram almas e destinos. O pequenino vai ...levado pelas mãos doces de uma mãe , acarinhado como talvez aqueles que aqui viveram nunca foram. O idoso se apoia em uma árvore e senta, admirando o por do sol Ele talvez pense: Estou tão velho e minhas forças estão se esvaindo aos poucos! Envelheceu, talvez tenha conseguido seus cabelos brancos porque aqui não mais serão libertados seus prováveis algozes. As fardas não são mais armaduras somente sobrepoem alguns homens que se espalham a proteger o patrimonio. A terra ainda tem cheiro suave do sangue, da morte, da dor. Misturado ao som suave das flores ... As celas agora estão abertas e são poucas, somente ruínas de vidas sem luz. A grama verde esconde as colunas e as árvores majestosas decifram enigmas. O sol se esconde por entre as árvores e de repente me sinto só. E o silencio se faz pleno. Posso então ouvir o grito fúnebre dos mortos vivos que não estão mais aqui. E de repente o canto doce de um pássaro me trás de volta a paisagem ao meu redor. E em sobrepostos de horror, para onde um dia foi inferno ,um nome de vida; " Juventude" descabidamente o lugar se faz. Calaram-se os gritos de socorro dos inocentes, mas seu sangue ainda grita da terra Fecharam-se as bocas dos culpados, e sua culpa não foi punida... Caminho entre cinzas de um passado recente , onde a dor se fez sol poente Onde raros sorrisos se perderam, e onde a desgraça morou... Sandra Botelho Foto acima: Parque da Juventude Foto abaixo. Carandirú

Meu sereno amor

Meu pequeno pedação de sonho! Me leva pra passear? Por ai em qualquer canto, onde o sol me descanse do calor... Me lembra...